{"id":18878,"date":"2026-06-19T16:08:53","date_gmt":"2026-06-19T19:08:53","guid":{"rendered":"https:\/\/radiobanda1.com.br\/portal\/?p=18878"},"modified":"2026-06-19T16:08:53","modified_gmt":"2026-06-19T19:08:53","slug":"sintomas-da-doenca-falciforme-vao-alem-da-anemia-saiba-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiobanda1.com.br\/portal\/?p=18878","title":{"rendered":"Sintomas da doen\u00e7a falciforme v\u00e3o al\u00e9m da anemia; saiba mais"},"content":{"rendered":"<p>Gen\u00e9tica e heredit\u00e1ria, a doen\u00e7a falciforme \u00e9 mais abrangente que uma anemia, nome pela qual ela costuma ser conhecida. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, a hematologista Marim\u00edlia Pita esclareceu esse e outros mitos sobre essa condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, que afeta at\u00e9 100 mil brasileiros, segundo estimativa do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cTodo doente falciforme \u00e9 an\u00eamico. A doen\u00e7a falciforme \u00e9 uma doen\u00e7a sist\u00eamica que afeta todos os \u00f3rg\u00e3os. Ela \u00e9 gen\u00e9tica, heredit\u00e1ria e passada de pais para filhos\u201d, resumiu a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Criadora da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Lua Vermelha, que conscientiza a sociedade sobre a doen\u00e7a falciforme, Marim\u00edlia Pita tamb\u00e9m \u00e9 oncohematologista pedi\u00e1trica e fundadora do Comit\u00ea de Hematologia Pedi\u00e1trica da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH).<\/p>\n<p>Neste dia 19 de junho, celebra-se o Dia Mundial de Conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a Doen\u00e7a Falciforme. A data foi estabelecida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para dar visibilidade a essa condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, reduzir o preconceito e melhorar o acesso ao diagn\u00f3stico e ao tratamento.<\/p>\n<p>Hem\u00e1cias em forma de foice<\/p>\n<p>A anemia \u00e9 o primeiro grande sintoma dessa doen\u00e7a que costuma ser diagnosticado. Isso ocorre porque o que causa essa condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o nas hem\u00e1cias, tamb\u00e9m conhecidas como gl\u00f3bulos vermelhos, que s\u00e3o as c\u00e9lulas sangu\u00edneas respons\u00e1veis por levar o oxig\u00eanio aos tecidos.<\/p>\n<p>Em uma pessoa que apresenta essa condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, a hem\u00e1cia perde o seu formato natural, semelhante ao de um gr\u00e3o de feij\u00e3o, e assume uma apar\u00eancia mais alongada, parecida com uma foice. Da\u00ed o nome falciforme, que significa forma de foice.<br \/>\n\u201cComo essa c\u00e9lula \u00e9 muito comprida, ela n\u00e3o dura a mesma quantidade de dias que uma c\u00e9lula normal, que dura 120 dias. Na doen\u00e7a falciforme, ela se quebra com 20 dias, 30 e at\u00e9 80 dias. Ent\u00e3o, o paciente est\u00e1 sempre com anemia\u201d. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a hem\u00e1cia comprida \u00e9 r\u00edgida e, quando ela se quebra, entope os vasos sangu\u00edneos, enquanto a hem\u00e1cia normal \u00e9 superflex\u00edvel e leva oxig\u00eanio para todos os microvasos do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Ao longo da vida, esse paciente passa a sofrer as consequ\u00eancias de as hem\u00e1cias com esse formato n\u00e3o chegarem a todos os tecidos, ocasionando \u201cmicroinfartos\u201d que podem atingir desde membros at\u00e9 \u00f3rg\u00e3os, como o cora\u00e7\u00e3o e os olhos.<\/p>\n<p>\u201cAquela \u00e1rea fica sem sangue, ela n\u00e3o respira, fica infartada, e a fun\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o vai diminuindo. Isso significa que, \u00e0 medida que o paciente vai crescendo, ele se torna um indiv\u00edduo cardiopata, pneumopata, nefropata e, assim, sucessivamente\u201d.<\/p>\n<p>Teste do pezinho<br \/>\nO diagn\u00f3stico da doen\u00e7a falciforme, entretanto, pode se dar antes disso. H\u00e1 25 anos, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade incluiu uma pesquisa de hemoglobina capaz de detect\u00e1-la no Teste do Pezinho, exame obrigat\u00f3rio e gratuito para beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico precoce, ainda na maternidade, torna a evolu\u00e7\u00e3o do paciente bem mais tranquila, segundo a hematologista. Entre os principais ganhos est\u00e1 a preven\u00e7\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es, uma das principais causas de morte entre esses pacientes antes dos 7 anos de idade.<\/p>\n<p>Na maior parte dos casos, a doen\u00e7a n\u00e3o tem cura, mas pode ser acompanhada e ter seus sintomas atenuados com tratamento m\u00e9dico. Em alguns casos, \u00e9 poss\u00edvel um tratamento curativo por meio do transplante de medula, quando o paciente atende aos crit\u00e9rios de elegibilidade e encontra um doador compat\u00edvel.<\/p>\n<p>Dor intensa<br \/>\nOutro sintoma comum da doen\u00e7a falciforme \u00e9 a ocorr\u00eancia de crises de dor intensa. Esse quadro \u00e9 causado pela obstru\u00e7\u00e3o de pequenos vasos sangu\u00edneos pelos gl\u00f3bulos vermelhos em forma de foice.<\/p>\n<p>A dor \u00e9 mais frequente nos ossos e nas articula\u00e7\u00f5es, podendo, por\u00e9m, atingir qualquer parte do corpo. Nas crian\u00e7as pequenas, as crises de dor podem acometer pequenos vasos sangu\u00edneos das m\u00e3os e dos p\u00e9s, causando incha\u00e7o e vermelhid\u00e3o no local, al\u00e9m de dor.<\/p>\n<p>Essas dores podem ser t\u00e3o intensas que muitos pacientes t\u00eam de ser internados em unidades de terapia intensiva (UTI), para que possam receber morfina, conta a hematologista. Ela lamenta que, muitas vezes, os profissionais de sa\u00fade n\u00e3o est\u00e3o preparados para lidar com esse quadro de dor aguda.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica representa o Brasil em um grande estudo internacional com 2 mil doentes, dos quais 260 eram brasileiros. Nesse estudo, s\u00f3 34% dos pacientes do Brasil receberam morfina durante crises de dor, enquanto, nos Estados Unidos, s\u00e3o 98% e, no Canad\u00e1, 99%.<\/p>\n<p>\u201cO paciente sofre com isso. E, ao longo do tempo, ele vai piorando clinicamente. E o pior de tudo isso \u00e9 que esse paciente, na maioria das vezes, \u00e9 considerado um adicto [dependente qu\u00edmico]. Porque ele chega no pronto-socorro uivando de dor e pedindo, pelo amor de Deus, uma morfina\u201d.<\/p>\n<p>Racismo<br \/>\nEntre todos os desafios enfrentados pelos pacientes com doen\u00e7a falciforme, Marim\u00edlia destaca um que vem de fora do corpo dos pacientes: o racismo estrutural. A doen\u00e7a \u00e9 mais frequente na popula\u00e7\u00e3o negra, porque a muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que causa o quadro teria sido originada no continente africano, explicou a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, acontece a quest\u00e3o do racismo, porque \u00e9 uma doen\u00e7a hematol\u00f3gica, cr\u00f4nica, que mata, e os pacientes s\u00e3o pobres. No Brasil, existe uma rela\u00e7\u00e3o direta da ra\u00e7a negra com a condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica do indiv\u00edduo\u201d.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 restrita ao continente africano nem exclusiva da popula\u00e7\u00e3o negra, principalmente em um pa\u00eds miscigenado como o Brasil. <\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma doen\u00e7a mundial. Ela ocorre tamb\u00e9m na \u00cdndia, na Ar\u00e1bia, na Europa, nas Am\u00e9ricas, na Austr\u00e1lia, no Caribe, em tudo que \u00e9 lugar do mundo\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>Diagn\u00f3stico cedo<br \/>\nNilceia Alves Gomes da Silva descobriu que seu filho Agner Eduardo da Silva tinha a doen\u00e7a falciforme quando ele ia completar 2 anos. <\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7ou com as crises que, at\u00e9 ent\u00e3o, eu n\u00e3o sabia o que eram, com dores na m\u00e3o, no p\u00e9, que ficavam inchados. A\u00ed, eu levava ele no pronto-socorro, e os m\u00e9dicos falavam que era algum bicho que tinha mordido e coisas assim\u201d, disse Nilceia \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Somente quando pagou uma consulta em um m\u00e9dico particular, ela soube que havia a possibilidade de o filho ter doen\u00e7a falciforme, devido a todos os sintomas que estava apresentando. Ao saber da situa\u00e7\u00e3o financeira de Nilceia, o m\u00e9dico encaminhou o caso para duas institui\u00e7\u00f5es gratuitas de S\u00e3o Paulo: a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia e o Hospital das Cl\u00ednicas.<\/p>\n<p>\u201cAli, come\u00e7ou a nossa trajet\u00f3ria\u201d, lembrou Nilceia, que viu o filho ser internado pela primeira vez aos 12 anos. Hoje, ele est\u00e1 com 47 anos e j\u00e1 foi hospitalizado cinco vezes com crises de doen\u00e7a falciforme.<\/p>\n<p> Fonte:portalcantu.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gen\u00e9tica e heredit\u00e1ria, a doen\u00e7a falciforme \u00e9 mais abrangente que uma anemia, nome pela qual ela costuma ser conhecida. 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