{"id":17499,"date":"2025-11-19T14:56:16","date_gmt":"2025-11-19T16:56:16","guid":{"rendered":"https:\/\/radiobanda1.com.br\/portal\/?p=17499"},"modified":"2025-11-19T14:56:16","modified_gmt":"2025-11-19T16:56:16","slug":"ultraprocessados-ja-sao-quase-um-quarto-da-alimentacao-dos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiobanda1.com.br\/portal\/?p=17499","title":{"rendered":"Ultraprocessados j\u00e1 s\u00e3o quase um quarto da alimenta\u00e7\u00e3o dos brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>A participa\u00e7\u00e3o de ultraprocessados na alimenta\u00e7\u00e3o dos brasileiros mais que dobrou desde os anos 80, passando de 10% para 23%. O alerta vem de uma s\u00e9rie de artigos publicados nesta ter\u00e7a-feira (18) por mais de 40 cientistas, liderados por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). <\/p>\n<p>A colet\u00e2nea publicada na revista Lancet mostra que este n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno isolado do Brasil. Dados de 93 pa\u00edses mostram que o consumo de ultraprocessados aumentou ao longo dos anos em todos, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do Reino Unido, onde se manteve est\u00e1vel em 50%. O pa\u00eds europeu s\u00f3 \u00e9 superado nessa propor\u00e7\u00e3o pelos Estados Unidos, onde os ultraprocessados perfazem mais de 60% da dieta. <\/p>\n<p>Carlos Monteiro, pesquisador do N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade (Nupens) da USP e l\u00edder do trabalho, alerta que esse consumo crescente est\u00e1 reestruturando as dietas em todo o mundo, e n\u00e3o ocorre por acaso:<\/p>\n<p>\u201dEssa mudan\u00e7a na forma como as pessoas se alimentam \u00e9 impulsionada por grandes corpora\u00e7\u00f5es globais, que obt\u00eam lucros extraordin\u00e1rios priorizando produtos ultraprocessados, apoiadas por fortes estrat\u00e9gias de marketing e lobby pol\u00edtico que bloqueiam pol\u00edticas p\u00fablicas de promo\u00e7\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>Em trinta anos, esse consumo triplicou na Espanha e na Coreia do Norte, alcan\u00e7ando \u00edndices de aproximadamente 32% tamb\u00e9m na China, onde a participa\u00e7\u00e3o dos ultraprocessados nas compras familiares era de apenas 3,5% passando a 10,4%. J\u00e1 na Argentina, o aumento foi menor, ao longo do mesmo per\u00edodo, mas saiu de 19% para 29%.<\/p>\n<p>Os artigos destacam que o aumento foi percebido nos pa\u00edses de baixa, m\u00e9dia e alta renda, sendo que os \u00faltimos j\u00e1 partiram de patamares altos, enquanto as na\u00e7\u00f5es com renda menor registraram altas mais expressivas.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, isso reproduz um padr\u00e3o percebido tamb\u00e9m dentro dos pa\u00edses: os ultraprocessados come\u00e7aram a ser consumidos por pessoas de maior renda, mas depois se espalharam entre outros p\u00fablicos. <\/p>\n<p>Os pesquisadores ressalvam, no entanto, que o problema \u00e9 multifatorial, influenciado pela renda, mas tamb\u00e9m por quest\u00f5es culturais. Alguns pa\u00edses de alta renda t\u00eam taxa de consumo expressivo, como o Canad\u00e1, com 40%, enquanto outras na\u00e7\u00f5es, com padr\u00e3o semelhante, como It\u00e1lia e Gr\u00e9cia se mant\u00e9m abaixo de 25%.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio lembra que esses produtos passaram a ser comuns em alguns pa\u00edses de alta renda ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, mas se tornaram um fen\u00f4meno global, e seu consumo se acelerou, a partir da d\u00e9cada de 80, com a globaliza\u00e7\u00e3o. Em paralelo, tamb\u00e9m cresceram as taxas globais de obesidade e de doen\u00e7as como diabetes tipo 2, c\u00e2ncer colorretal e doen\u00e7a inflamat\u00f3ria intestinal.<\/p>\n<p>As evid\u00eancias cient\u00edficas produzidas ao longo desse tempo apontam que dietas ricas em ultraprocessados est\u00e3o associadas \u00e0 ingest\u00e3o excessiva de calorias, pior qualidade nutricional e maior exposi\u00e7\u00e3o a aditivos e subst\u00e2ncias qu\u00edmicas nocivas. Al\u00e9m disso, os pesquisadores fizeram uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica de 104 estudos de longo prazo e 92 deles relataram risco aumentado de uma ou mais doen\u00e7as cr\u00f4nicas, incluindo c\u00e2ncer, doen\u00e7as cardiovasculares e metab\u00f3licas. <\/p>\n<p>\u201cO conjunto das evid\u00eancias apoia a tese de que a substitui\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es alimentares tradicionais por ultraprocessados \u00e9 um fator central no aumento global da carga de m\u00faltiplas doen\u00e7as cr\u00f4nicas relacionadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o&#8221;, explicam os cientistas. Eles dizem que a pesquisa sobre efeitos na sa\u00fade humana continuar\u00e1, mas isso n\u00e3o deve atrasar as pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica em todos os n\u00edveis &#8220;destinadas a restaurar, preservar, proteger e promover dietas baseadas em alimentos integrais e em seu preparo como pratos e refei\u00e7\u00f5es, que j\u00e1 est\u00e3o atrasadas\u201d, enfatizam os cientistas.<\/p>\n<p>O que s\u00e3o ultraprocessados?<br \/>\nO termo \u201cultraprocessados\u201d come\u00e7ou a se popularizar, ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o nova, por pesquisadores brasileiros, em 2009. Ela divide os alimentos em quatro grupos, de acordo com o grau de modifica\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s passarem por processos industriais:<\/p>\n<p>Alimentos n\u00e3o processados ou minimamente processados s\u00e3o vendidos em sua forma natural, ou apenas ap\u00f3s algum processo que mant\u00e9m sua estrutura b\u00e1sica, como congelamento, fracionamentos, moagem, embalo e etc. Exemplos: frutas e legumes; carnes e peixes, gr\u00e3os e cereais embalados.<br \/>\nIngredientes processados. S\u00e3o produzidos a partir de alimentos in natura e geralmente usados na prepara\u00e7\u00e3o de outros alimentos. Exemplos: \u00f3leo de soja, a\u00e7\u00facar e sal.<br \/>\nAlimentos processados: S\u00e3o os produtos do grupo 1, adicionados a ingredientes do grupo 2 ou modificados atrav\u00e9s de m\u00e9todos semelhantes aos caseiros. Por exemplo: legumes e peixes enlatados, macarr\u00e3o, sucos 100% feitos com frutas e etc.<br \/>\nAlimentos ultraprocessados: produtos comerciais resultantes da mistura de alimentos in natura baratos com aditivos qu\u00edmicos, altamente modificados por processos industriais. Esses aditivos t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de torn\u00e1-los altamente dur\u00e1veis, prontos para consumo e super palat\u00e1veis. Exemplo: biscoitos recheados, refrigerantes, macarr\u00e3o instant\u00e2neo e iogurtes saborizados.<br \/>\nA cria\u00e7\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o nova tamb\u00e9m foi encabe\u00e7ada por Carlos Monteiro, l\u00edder do relat\u00f3rio global publicado nesta ter\u00e7a-feira. Ele refor\u00e7a que o objetivo da classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 facilitar o entendimento sobre \u201ccomo o processamento afeta a qualidade da nossa dieta e a nossa sa\u00fade\u201d e contribuir para a cria\u00e7\u00e3o de diretrizes, como o Guia Alimentar da Popula\u00e7\u00e3o Brasileira, criado pelo Nupens para o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que incorporou a classifica\u00e7\u00e3o nova na sua segunda edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte:portalcantu.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A participa\u00e7\u00e3o de ultraprocessados na alimenta\u00e7\u00e3o dos brasileiros mais que dobrou desde os anos 80, passando de 10% para 23%. 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