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GM diz que colega ficou ‘assustado’ após disparo, mas que não viu tiro atingir jovem durante abordagem em Londrina

GM diz que colega ficou ‘assustado’ após disparo, mas que não viu tiro atingir jovem durante abordagem em Londrina

Os dois guardas municipais acusados de matar o jovem Matheus Evangelistadurante uma abordagem foram interrogados pela Justiça nesta quarta-feira (8). Michael Garcia de Souza disse que o colega Fernando Ferreira Neves ficou “assustado” após disparo, mas que não viu se tiro atingiu a vítima. Assista a um trecho do interrogatório de Michael Garcia no vídeo acima.

Matheus foi morto em 11 de março durante uma ação da Guarda Municipal (GM) na zona norte de Londrina, no norte do Paraná. Três agentes foram até uma casa, onde o jovem estava, para apurar uma denúncia de perturbação de sossego.

A primeira audiência de instrução do caso foi realizada nesta quarta. No começo da tarde, a informação era de que 30 testemunhas seriam ouvidas, metade delas indicadas pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) e pelo advogado da família de Matheus Evangelista.

No entanto, depois de oito depoimentos, todas as outras testemunhas foram dispensadas, o que possibilitou que os dois guardas municipais que respondem ao processo pela morte de Matheus fossem interrogados.

Veja um trecho do depoimento de Michael Garcia abaixo:

  • Michael Garcia: Eu efetuei um disparo de arma de fogo para o alto. Daí passou um curto tempo de prazo e eu ouvi um outro tiro. Eu olhei para trás. No que eu olhei para trás, o GM Neves estava com a arma em punho.
  • Juíza: Quem que é o GM Neves?
  • Michael Garcia: Era o chefe da equipe, responsável pela, pela… chefe da equipe.
  • Juíza: Da equipe dos senhores?
  • Michael Garcia: Exato. Ele estava com a arma em punho, e perplexo. Fisionomia perplexa. Assustado, bastante assustado, né? E ele foi em direção ao rapaz alvejado.
  • Juíza: Ao Matheus?
  • Michael Garcia: Exato. E conversou com ele ali. Aí posterior a isso, ele pegou o rapaz e colocou na viatura.
  • Juíza: Foi a própria viatura municipal que levou ao hospital?
  • Michael Garcia: Sim, excelência.
  • Fernando Neves, que segundo o MP-PR foi o autor do disparo, permaneceu em silêncio. A defesa dele não quis se manifestar.

    Em outro trecho do interrogatório, Michael Garcia disse que não viu se foi o disparo de Neves que atingiu Matheus.

    • Michael Garcia: É que de momento eles não acataram a voz de abordagem, excelência. Havia o som alto, não sei se eles não ouviram. Foi quando eu efetuei o disparo pro alto.
    • Juíza: Tá, e aí o seu tiro não atingiu ninguém?
    • Michael Garcia: Ninguém Excelência.
    • Juíza: Foi o tiro de quem que atingiu o Matheus?
    • Michael Garcia: Eu não vi o GM Neves atirar no Matheus. Apenas vi ele com a arma em punho.
    • Juíza: Quem que é o GM Neves, o Neves é o Fernando que o senhor fala?
    • Michael Garcia: Fernando Ferreira das Neves. Era o chefe da equipe. Eu não vi o disparo dele acertar o Matheus.
    • Juíza: Mas viu ele com a arma em punho?
    • Michael Garcia: Eu vi ele com a arma em punho e com a fisionomia perplexa, assustado, bastante assustado. Mas eu não vi ele atirar no Matheus, até porque eu estava de costas pra ele.

    O advogado Eduardo Mileo, que defende Michael, disse que o cliente também relatou à Justiça que Neves o procurou no dia seguinte ao ocorrido.

    “Ele disse que o Neves o procura, muito nervoso, e trouxe pra ele ali aquela certeza, dentro daquele contexto que ele viveu, que foi ele sim, o Neves, que disparou o tiro que trouxe a morte do Matheus”, disse Mileo.

    Para o advogado da família de Matheus Evangelista, Mário Barbosa, os depoimentos esclareceram o caso.

    “O interrogatório do Michael foi muito claro. Porque através da voz dele a gente conseguiu fechar todos os pontos que estavam faltando ser ligados”, declarou.

    Com os depoimentos das testemunhas e os interrogatórios dos acusados nesta quarta, a fase de instrução do processo chegou ao final. Agora, defesa e acusação terão um prazo para apresentar as suas alegações e depois disso a juíza decide se os acusados de envolvimento na morte de Matheus Evangelista serão julgados pelo Tribunal do Júri.

    “O processo tramitou regularmente, de forma rápida, observando-se aí o direito do contraditório, da ampla defesa. E em breve acreditamos que já vai estar disponível para crivo da sociedade uma decisão a respeito do encaminhamento dos réus para júri ou não”, disse o promotor do caro, Ricardo Domingues.

    Fonte: G1 Paraná.

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